sábado, janeiro 22

escolho o verão

 
     Eu estava dentro do ônibus quando vi alguém colocando o celular dentro da mochila, a mão esquerda que tinha cuidado com o celular poderia ter uma aliança mas em seu lugar havia um tom de pele muito mais claro que o tom de pele do homem, como se o anel tivesse roubado o sol que bronzeava a pele por longos anos, talvez mais que 10 ou mais que 15 e que a pele agora estava de novo livre para ser bronzeada.
     Quando os meus olhos passaram da sua mão para os seus olhos eu os vi perdidos, e os meus acabaram se perdendo também. Eu imaginava quantos momentos a jóia foi símbolo do seu amor e quantas juras foram feitas até a entrega e também depois dela, pensava se ela havia sido de fato base de algo maior e exemplo pra quem estivesse por perto. Me perguntava quem se machucou mais quando ele tirou aquele anel e se o sol, os verões tinham o mesmo significado antes e depois dele.
     Ainda olhando nos olhos do homem, eu sentia como se o seu corpo soubesse que era verão mas o seu coração vivesse um eterno inverno. Como se ele implorasse pra que o sol fosse queimar por fora e por dentro. Que ele pudesse aquecer o frio do coração, ou melhor, aquecer o frio coração.
     De vez em quando me pego imaginando a dor do termino de um casamento e sei que é um tipo de sentimento que eu não quero sentir e nem preciso provar pra ter certeza e me questiono se vale a pena me privar da montanha russa de sentimentos que um relacionamento proporciona pra escapar do sofrimento que seria o fim. Pois é, a minha conclusão acaba sendo apenas uma e a mesma que concorda com Vinicius de Moraes quando ele diz:

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. ´



     Sim, eu sempre vou preferir um mês de verão a viver uma vida sem ter experimentado o seu calor.



2 comentários:

  1. Você escreve bem demaaaais sua linda! Me emocionei com seu texto, sério! To acompanhando seu blog, agora =D

    Beeeijos flor ;*

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  2. choreiiiiiiiiiiiiiii amigaa.. pode dizer q vc fez esse pensando na minha dor ?? heheheheh

    te amo bjaooooo

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