domingo, junho 19

então, e você?

     O que você faria se eu te abraçasse agora? E se eu não te abraçasse? O que você diria se eu virasse as costas pra você? Se eu fugisse? Se eu gritasse? Você me abraçaria? E se eu saltasse de um carro em movimento, você tentaria me impedir? Se eu chorasse desesperadamente,  você seguraria minha mão? E no meio da minha crise de riso, você simplesmente ignoraria?
     O que você pensaria se eu desse bom dia pra um desconhecido? E se eu ignora-lo,  seria normal pra você? E se eu quissesse acolher um desabrigado? Ou se desse meu cobertor pra ele? E se o cobertor fosse seu? E se uma criança estivesse perdida? Se ela tivesse com aspecto de mendiga? Você olharia com os mesmos olhos? Se eu lembrasse de quem já me esqueceu? Se eu chorasse por um assassino? Se a minha escolha fosse o pior a seus olhos? A minha atitute te chocaria? A minha forma de vida seria absurda? Eu te empressionaria? 
      E se eu te contar que encontrei uma flor num canhão? Que vi um perdedor, de olhos esburrando orgulho comemorando com o vitorioso? Que palavras ditas já reconstruiram corações? Que olhares já reuniram pedaços de uma vida?  Que recebi vários sorrisos sinceros pelo caminho? Que vi pessoas ajudando outras sem pensar em ter nada em troca? Que já houve sacrifício por amor?  Você ficaria espantado? Iria querer confirir? Ou me falaria, sem exitar, que foi você?

segunda-feira, junho 13

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"Às vezes é preciso recolher-se. O coração não quer obedecer, mas alguma vez aquieta; a ansiedade tem pés ligeiros, mas alguma vez resolve sentar-se à beira dessas águas. Ficamos sem falar, sem pensar, sem agir. É um começo de sabedoria, e dói. Dói controlar o pensamento, dói abafar o sentimento, além de ser doloroso parece pobre, triste e sem sentido. Amar era tão infinitamente melhor; curtir quem hoje se ausenta era tão imensamente mais rico. Não queremos escutar essa lição da vida, amadurecer parece algo sombrio, definitivo e assustador. Mas às vezes aquietar-se e esperar que o amor do outro nos descubra nesta praia isolada é só o que nos resta..." 


Lya Luft

sexta-feira, junho 10

eu pinto o meu céu.

     Eu que pinto o meu céu, eu que decido a quantidade de estrelas que brilham. Confesso que o poder que elas tem de me impressionar sai do meu controle mas cabe a mim deixa-la lá ou não.
     A opção de apagar as nuvens que porventura aparece  também é minha, se bem que na maioria das vezes eu escolho transformá-las nos formatos mais divertidos e irônicos que minha mente criativa permite.
     Eu que decido a intensidade da chuva, seu tipo, formato das gotas e se ela vai mesmo me molhar. Sei como me proteger dela assim como sei da alegria que um banho de chuva pode trazer.
     Eu que escolho se é noite, ou se é dia. Escolho quando o meu Sol nasce, quando e onde ele se põe... eu que sei se fico perto ou longe, se mecho ou deixo quieto, se faço um acabamento aqui ou ali.
     Eu que pinto o meu próprio céu e minha recompensa é saber que em algum lugar, alguém olha pra ele e enxerga alguma beleza, alguém olha e talvez até sinta todo o potencial de tudo que é de pura e simplesmente autoria minha, alguém que veja todos os erros que também tem minha assinatura e apenas ria sabendo em silêncio como concertar.
     Minha recompensa é saber que eu posso pintar o meu céu e continuar escolhendo e optando e mudando e crescendo que em algum momento minha estrela cadente vai guiar esse alguém, meu alguém, pra pintar comigo e em mim.  

segunda-feira, junho 6

só sinto.

     É impressionante como a gente sempre sente mais do que quer, entende ou sabe. eu sinto mais do que suporto, e não sei ao certo a intensidade de cada sentimento, tão pouco do que eu sou capaz sentindo cada um deles. 
     Fala a verdade, vai dizer que você nunca quis matar uma pessoa e abraça-la ao mesmo tempo? Ou depois de ter discutido com alguém deu uma gargalhada super gostosa com a piada que essa mesma pessoa contou dois segundos depois? 
     Talvez tudo que precisemos é de um tempo pra entender o que se sente. ou não, até porque quando muito se pensa a probabilidade de se estragar o momento cresce exponencialmente.
     Posso falar? Sempre tive vontade de me entender, e entender tudo que sentia, mas pensando bem agora, não quero ofuscar o brilho do misterio que resta em mim.Me entender por completo, tiraria a graça de conhecer a mim mesma e tentar ultrapassar meus próprios limites, uma vez que já saberia de todo o meu potencial. 
     Ópto por não entender 10% dos meus sentimentos se isso for pré-requisito para eu continuar achando que o meu potencial é infinito uma vez que, ainda, não alcancei o meu impossivel.